É assim que faço terapia desde os 8 anos de idade. Nada de doutores com seus caderninhos de anotações e um divã confortável para a paciente aqui desabafar. A minha terapia são as minhas artes.
Meu primeiro contato com as linhas se deu aos 8 anos quando uma tia avó crochetava com uma linha marrom uma pequena toalha. Suas mãos era tão ágeis que mal se podia ver o movimento que a linha fazia. Eu fiquei encantada com aquilo. Me lembro que parei e fiquei olhando com atenção, até que tia Anita me perguntou se eu gostaria de aprender. Mais do que depressa sentei-me ao lado dela e com minhas pequenas mãos fiz os primeiros pontos de uma correntinha. Era o início de uma paixão. Eu não sabia o bendito do começo do crochê. Já fazia a correntinha, pontos altos e baixos, mas o bendito do começo eu não conseguia. Daí eu corria para a casa da vizinha para que ela fizesse o primeiro ponto, para eu então dar sequencia no que pretendia.
Um ano depois nos mudamos de casa e no bairro novo havia aulas de pintura em tecido. Claro que o fogo de palha não apagou enquanto não fui para o meio das adultas me aventurar. Minha tia comprou todos os materiais e todas as semanas eu ia para minhas aulas. Era uma delícia, mas como toda criança logo larguei de mão e fui me ocupar com outras coisas que não fossem carbonos e panos de prato.
Mais dois anos se passaram. Aos 11 em uma viagem para Taquaritinga, no interior de São Paulo na casa de uma tia, me deparo com uma caixa grande e transparente. Ela tinha abertura de ambos os lados e podíamos ver pelas tampas aquele arco-íris de linhas. Eram tantas cores diferentes que me chamou a atenção. Após o almoço, minha tia Neuza com sua paciência oriental pegou uma toalha de banho que estava com o desenho pela metade. Parecia uma pintura a mão. Pacientemente ela fazia cada ponto e dos dois lados era possível ver o mesmo desenho. Era o chamado avesso perfeito. Mais uma vez a minha curiosidade falou mais alto. Então, ela que logo notou meu interesse, pegou um pedaço de etamine, colocou uma linha vermelha na agulha e me ensinou os primeiros pontos do ponto de cruz. Bordei uma maçã. Fiquei tão feliz com o resultado daquela simples maçã que na semana seguinte convenci minha tia a correr para o armarinho mais próximo e comprar os materiais para eu começar a bordar.
Minha avó tinha uma Singer preta que ganhou de presente em seu casamento, 70 anos atrás. Veio então uma moda de fazer bolsas com pernas de calças Jeans e com ela meu primeiro contato com uma máquina de costura. Me aventurei, errei muito, costurei tudo torto, mas consegui.
Outros anos mais tarde, já no ensino médio, surgiu a oportunidade de fazer serviço voluntário com crianças carentes e poderíamos ensinar qualquer coisa que soubéssemos. Escolhi o ponto de cruz, e durante este trabalho aprendi o vagonite. Mais uma paixão. O vagonite é simplesmente uma delícia de fazer. Aprendi também o Macramê, mas algo me dizia que já havia visto aquilo em algum lugar e me lembrei de quando era criança e via minha avó "amarrando" panos de prato. Era assim que ela chamava o nosso macramê de hoje.
Enfim... já fiz também caixas de papel paraná para presentes, paguei muitas contas montando cartões de natal bordados em ponto de cruz. Agora quero mais uma vez me aventurar a usar uma máquina de costura. Aquela velha Singer, continua lá no cantinho dela. Foi a herança que minha avó me deixou. Está esperando apenas que eu mude para minha casa definitiva para poder levá-la comigo.
Bem... essa é a minha história. Eis aqui uma aprendiz de costureira. E você quer aprender junto comigo ou me ensinar o que você sabe? Vamos simbora...
2 comentários:
Ah que linda!
Me deu vontade de escrever a minha história tbm! Que aliás é parecidíssima com a sua...
Mas não sei fazer vagonite, nem macrame^! acho lindo!
Ah, e tricô, você sabe?
Eu não sei...
q legal! adorei teu blog! ja estou seguindo! obrigada pela visita no meu e pelo recado carinhoso! bjs
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Oi, pode deixar seu pitaco aqui, vou adorar lê-lo e respondê-lo !!!